sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sociedade que se repensa

A ética e os valores humanos tornaram-se fundamentais para a política e
para a gestão do desenvolvimento sustentável



Discute-se muito, atualmente, os “deslizes” éticos praticados por nossos parlamentares, dirigentes públicos e governantes do cenário nacional. Mas, ao mesmo tempo, imagina-se e procura-se construir uma educação de mais qualidade e inúmeras ações são pensadas para diminuir as desigualdades sociais presentes no Brasil.
Como conjugar o sonho com a realidade de corrupção e desvios de conduta?

Algumas pessoas, mais céticas, diriam que não adiantaria nada. Diriam que a corrupção
e a possibilidade de sonhar são parte do brasileiro, é a “alma brasileira”. E a indignação a que isso tudo leva, transforma tudo em cinismo paralisante e reprodutor das mesmas condutas. Ou seja, não muda nunca, porque ninguém muda.

A Ética é uma construção conjunta, inconsciente, que estabelece aquilo que é consenso e aceitável nas relações em sociedade, entre indivíduos contemporâneos. Define as regras de comportamento, para garantir o bem comum.Por isso, envolve também, uma preocupação com o futuro. Mas, mesmo sendo produto de evolução coletiva, a ética deve
ser algo internalizado – compromisso consigo mesmo, deixando claro que somos responsáveis por nossos atos e pelo nosso crescimento pessoal. Esta visão de ética, assim, centrada na autonomia do ser humano, resgata a noção de que somos responsáveis por nossas vidas e por suas consequências: a vida que a gente deseja, depende das nossas ações.

Uma vez, em uma de suas palestras, Leonardo Boff resumiu o destino da humanidade
em duas palavras: “ou mudamos, ou morremos”. Ele explicou, para uma platéia enorme,
que, dentro desse nosso modelo de desenvolvimento, não há salvação para a Terra nem para os homens. Deixou claro, porém, que ter sentido crítico a essa expressão não quer dizer que não se possa fazer desenvolvimento sustentável em algum lugar. “Mas de forma global ele é inadequado porque a terra já perdeu 20% da sua capacidade de recuperação e nós humanos a ocupamos devastando 80% do planeta, por isso precisamos
de um novo paradigma civilizatório”, pontuou.

Falar em sustentabilidade, significa dizer que todos os seres vivos estão intro-retro-relacionados; não existe um crescimento linear; existe um crescimento de relações. “Nós precisamos usar os recursos de tal maneira, que satisfaçam nossas necessidades, as necessidades de nossos filhos e as de nossos netos que virão”, citou uma ideia exposta no documento “Nosso Futuro Comum”, publicado em 1982 e mais conhecido como “Relatório Brundtland”, elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas.

Infelizmente, são as ações geradas pelo homem, as principais responsáveis pelas mudanças no ambiente e pela extinção, de forma irreversível, da diversidade da vida
no planeta. Atualmente, mais de um terço da humanidade não tem sustentabilidade alguma: “é pobre ou é miserável”.

O ETHOS, definido por Boff como sendo a morada humana, agrega valor à palavra ética.
“Hoje, a morada humana não é a nossa casa, não é a nossa rua, não é o nosso bairro, não é a nossa cidade; é o planeta Terra; a ética, hoje, tem que contemplar os seres humanos; o homem já construiu máquinas capazes de destruir a nossa espécie; nós somos espécies dementes e não sapientes”, desabafa Boff.

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