segunda-feira, 7 de junho de 2010

Saco é um saco!

Levam mais de 300 anos para se decompor, mas ainda existem divergências em como lidar com isso

Por Mariana de O. Monzani



Quando surgiram na década de 1950, revolucionaram o comércio por serem práticas e baratas. Menos de meio século bastou para que as sacolinhas de plástico passassem de símbolos de modernidade para vilãs do meio ambiente. O motivo? O plástico polui, pois é incapaz de se decompor em curto prazo - demoram, no mínimo, 300 anos para completar a decomposição.

No mundo todo, a cada ano, são produzidas mais de 500 bilhões de unidades. No país, a cada mês, um bilhão de sacolas são distribuídas em todos os supermercados – 66 sacolas para cada brasileiro, em média.

Em junho de 2009, foi lançada uma campanha nacional, pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, com o apoio da rede de supermercados Wal-Mart, tendo o objetivo de esclarecer a população e incentivar a substituição de sacolas plásticas, utilizando alternativas para carregar compras e armazenar o lixo.

Iniciativas de conscientização de funcionários para otimizar o uso das embalagens, venda de sacolas retornáveis e incentivo à coleta seletiva têm sido adotadas em São Paulo com maior frequência a fim de tentar reduzir o consumo do plástico. Outra prática comum, ultimamente, é a cobrança de uma taxa para utilização das sacolinhas, nos caixas dos supermercados. Uma rede de atacadistas, por exemplo, cobra R$0,20 por sacola - medida essa, também adotada por outros estados, que até dão descontos aos consumidores, se não utilizarem sacolinhas de plástico.

Para Francineide de Souza, vendedora autônoma, 42 anos, “conscientização” é o lema para 2010. Ela acredita que a alternativa de redução e pagamento pelas sacolinhas não é sólida, mas ameniza o problema. “Utilizo sacolas de tecido há um tempo já para fazer feira e também ir ao supermercado. É bom para mim, porque esse tipo de material das sacolas dura mais e cabem mais coisas nela, e é bom para o meio ambiente”, explica Francineide.

Situação parecida encontrada em mercados menores, de bairro, como por exemplo, um pequeno mercado localizado na Mooca, Mercado Visconde de Laguna, que também cobra pelas sacolinhas no caixa, e possui até placas dentro do estabelecimento, alertando os consumidores sobre os danos que o plástico causa ao meio ambiente. “Os moradores mais antigos do bairro sempre tiveram costume de andar com sacolas grandes de tecido, é um velho hábito. Mas os mais jovens, dificilmente. Aqui estamos tentando mudar isso”, explica Rodrigo Gomes, caixa do mercado.

Faculdade sustentável

Vários universidades já oferecem cursos ligados ao meio ambiente e fazem moda entre os jovens

Por Julio Cezar Pacheco


Em tempos de crise ambiental e sustentabilidade em alta, universidades diferentes criam cursos que lidam com questões da natureza, preservação de recursos naturais e modos de produção sustentável. Os nomes são os mais variados, como Gestão Ambiental, Engenharia Ambiental e Ecologia e já são oferecidos em várias faculdades, inclusive públicas. “Sempre adorei assuntos ligados ao meio ambiente, e decidi que minha carreira tinha que seguir essa linha”, explica Guilherme Marques, que começou o curso de gestão ambiental no SENAC e logo depois trocou para Engenharia Ambiental.

Os cursos, no geral, visam trabalhar aspectos econômicos ligados à ecologia, criação de projetos de recuperação de danos ao meio ambiente, desenvolvimento de eventos auto-sustentáveis, ou que visam causar o menor dano possível ao planeta. “Profissionais com essas habilidades estão sendo requisitados tanto no setor privado, quanto no público. É uma área que tende a crescer muito”, prevê a consultora de carreiras Vânia Faria.

A assessoria de imprensa da Universidade Anhembi Morumbi, uma das pioneiras no assunto, diz que trata-se de um dos cursos mais procurados pelos os alunos e que envolve diferentes disciplinas, como meio ambiente, biologia, turismo, economia e política. “Decidi fazer gestão ambiental porque era um curso que juntava administração com sustentabilidade. A visibilidade do assunto influenciou na minha decisão, sem dúvidas. No meu antigo colégio, todos os professores faziam a gente pensar no meio ambiente”, conta com empolgação a jovem Virginia Falanghe, que apesar de ter gostado do curso, desistiu e foi correr atrás do sonho de ser jornalista.
Sustentabilidade para jovens – O crescimento de eventos jovens ligadas ao meio ambiente aponta o motivo do interesse cada vez maior das pessoas mais novas com o assunto. Recentemente em São Paulo, promoveu-se um evento completamente ‘limpo’, que eliminava qualquer emissão de carbono na atmosfera. Na ocasião, os cantores Sting e Jason Mraz se apresentaram para um público preocupado com o meio ambiente.

Planeta Água

Água é vida, basta saber como usá-la para não ficar sem.

Por Juliana Barbosa

O corpo humano é formado por 70% de água, portanto, ela é de extrema importância para as nossas vidas, pois nos mantém saudáveis, prevenindo-nos de muitas doenças. A maioria dos seres vivos necessita da água doce para sobreviver. Apesar de sua abundância e de poder ser encontrada em várias partes do planeta, há um desperdício enorme em relação à água no mundo, diminuindo cada vez mais.

A reutilização da água no mundo é uma solução muito eficaz para a economia da água e para a duração existencial da mesma. O reuso da água é usá-la racionalmente ou eficientemente para diversos fins. A estudante de gestão ambiental, Débora dos Anjos Silvestre de 20 anos, conhece as técnicas de reutilização da água e diz que entre elas, há a captação da água pluvial para fins não potáveis como: irrigação, descargas, lavagem de calçadas, entre outras. “Eu acredito que a implementação dessas técnicas de reuso da água tende a crescer ainda mais, pelo aumento da preocupação ambiental no mundo”.

“A água é de vital importância para todos os seres vivos e para a existência da vida na terra, e a água doce disponível no planeta para consumo humano é muito pouco para suprir as necessidades do homem. A falta de água já é um problema atual. Quanto mais técnicas para minimizar os desastres causados por falta de água e desperdício é valido para garantir o conceito de sustentabilidade”, conclui Débora.

Porém, há uma grande parte da população que se importa com esse desperdício e se preocupa com seu futuro, e o futuro do meio ambiente, é o caso de Carlos Alberto Dal’Mas, empresário de 49 anos. “Eu tenho o hábito de economizar água sim, como por exemplo, em casa um simples gesto em tempo no banho, fechar a torneira quando estiver escovando os dentes, lavagem de roupas, etc., como também em um processo na casa do interior, onde capto água de chuva do telhado, filtro por gravidade e utilizo para regar, lavar e outras finalidades. Lá o recurso da água já é escasso!”, diz. Para Carlos o problema de escassez de água no mundo é sério e gravíssimo, “nós seres humanos ainda não temos consciência de que a água potável é finita e que em breve, breve mesmo pagaremos muito alto por isso”, diz.

As soluções para os problemas de desperdício existem, claramente esclarecidas pela Professora Universitária de gestão de água e saneamento da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Clarice Barros de 45 anos. Ela conta que a água reciclada pode servir para a irrigação de campos, parques, para uso industrial, como na refrigeração, também para o uso pessoal, como lavagens de carros, e para combater o fogo.

“Para esclarecer, a água da chuva quando tratada, passada pelos processos fundamentais de filtração e cloração, ou seja, uma destilação que é eficaz, também pode ser usada para o consumo humano”, afirma. Clarisse também fala do problema de escassez da água refletida no mundo, “esse problema é agravado cada vez mais pela desigualdade social que há no mundo, pela industrialização e pelo mau manuseamento dos usos sustentáveis dos recursos naturais”, diz.

Portanto, é preciso aplicar medidas eficazes as políticas públicas para o meio ambiente, no controle e na reutilização da água, e principalmente conscientização da população, visando maior futuro da água e a todos os seres vivos do planeta.

Plantando Consciência

Na campanha de recepção de calouros desse ano, USP adota uma postura em prol do meio ambiente

Por Tamires Crispim


Em meio ao ingresso de seus novos calouros, a USP (Universidade de São Paulo), realizou uma ação a favor da conscientizaçãos dos mesmos sobre o meio ambiente. A prática do trote realizado em universidades em todo o país, assume um diferente papel na USP, que nesse ano adotou uma ação de integração e compromisso com o bem do meio ambiente.

Escolhido pelo Grupo Pró-Calouro, o tema da campanha deste ano, aproveitando o Ano Internacional da Biodiversidade, é "Cultive os Bixos - 10.622 mudas - Salve Calouros", e sua novidade é a distribuição de envelopes com sementes da árvore aroeira-salsa, resultado da parceria da Pró-Reitoria de Graduação com a Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF). "O objetivo primário foi simbólico.

Da mesma forma que uma planta se desenvolve em um solo fértil, nossos alunos se desenvolverão se nutrindo do que a USP tem a oferecer a eles. Secundariamente, há a mensagem de que individualmente também podemos tomar iniciativas para colaborar com os problemas do meio ambiente", conta Oswaldo Crivello,coordenador do Grupo de Trabalho Pró-Calouro.

Todos os alunos ingressantes receberam as sementes, porém, cada Unidade definiu o modo de proceder com elas. No interior, muitas reservaram em sua programação uma data para o plantio. Sendo inviável se plantar mais de cinco mil mudas em uma semana na Cidade Universitária, cada aluno teve a liberdade de plantar onde quisesse, em casa ou sítio da família, por exemplo. Para a caloura do curso de Sistemas da Informação, Andrine Brandão, 19, infelizmente, é difícil esse tipo de ação gerar uma conscientização nos colegas. "Não participei do plantio na minha Unidade (EACH) e também não conversei com ninguém que tenha ido. Todos comentavam das festas, shows, mas não do plantio. Por sinal, minha semente ainda está guardada", assume a estudante.

Freeganismo

Uma ideologia que não segue padrões mas que protesta o desperdício e age em prol de um mundo sustentável

Por Caroline Silveira


Eles são estudantes da classe média e decidiram viver das sobras dos outros. Não seguem crenças e nem rituais, apenas uma ideologia anticapitalista em prol de um mundo sustentável. Os freegans são pessoas que se alimentam de restos de comidas de feiras, praças de alimentação de shoppings e universidades, restaurantes ou qualquer outro lugar público que haja grande desperdício. Em protesto ao exacerbado consumismo do mundo capitalista, veem nessa atitude uma forma de diminuírem um dos problemas mais sérios do mundo contemporâneo: o desperdício.

“Eu decidi ser freegan porque percebi que é desperdiçado muito alimento e pessoas que realmente passam fome, como mendigos, não podem frequentar os mesmos lugares que eu frequento. E por ter uma atitude anti-consumista em um mundo em que o consumismo exagerado prejudica tanto as pessoas”, disse o estudante de Comunicação de Multimeios, Lucas Baitello, 21 anos.

A palavra Freegan vem da junção das palavras “free” (livre, em inglês) e “vegan” (ramo do vegetarianismo que não consome nada de origem animal). Boa parte dos freegans são também vegetarianos.
O freeganismo bastante difundido em países como Estados Unidos, Inglaterra e França é bastante conhecido no Brasil por meio das redes sociais (orkut, twitter, blog) mas ainda não muito visto nas ruas.

Mal vistos pela maioria das pessoas, os freegans adotaram uma ideologia que atende apenas ao objetivo de protestar o desperdício. Eles agem discretamente para não chamarem a atenção de ninguém e nem serem observados. Dizem que seu objetivo não é causar espanto ou nojo, é apenas contribuir de alguma forma para que o alimento que sobra nos pratos (na maioria das vezes, salada) não vá para o lixo.

Segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, 12 Bi de reais em alimentos são jogados fora por ano. Atualmente, a produção anual de lixo de todo o planeta, é de aproximadamente 14 milhões de toneladas por dia e só a cidade de São Paulo produz 12 mil toneladas.

O estudante e freegan Anderson Viana acredita que o trabalho da sociedade se volta apenas para o fortalecimento de ma classe dominante e isso faz com que as pessoas vivam conformadas cm o mundo em que vivem de tal forma que não se levantam para protestar sequer o consumo e o desperdício. “Chega num ponto em que você percebe que o problema não está nas grandes empresas, está no meio e uma das grandes responsáveis pela manutenção disso é a mídia.”

Viver em um mundo em que as pessoas compram para sentirem-se inseridas ou valorizadas pela sociedade não pelo que são ou representam, mas pelo que tem, implica abrir mão de alguns valores morais e éticos. Desperdiçar comida em um país em que pessoas passam fome todos os dias, talvez seja uma atitude cega causada pela perda de tais valores.

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